quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

SALVE 2 010

SALVE 2 010
AYRES KOERIG

Reflita comigo: Mais um ano que temos pela frente para enfrentarmos em nosso dia-a-dia! Será que ele vai ser igual ao que passou, bom para todos como o foi para mim? Lembre-se que “coração contrito e humilhado, Deus não despreza”. Se podes fazer alguma coisa que ajude o teu irmão, faça-o já. “Tudo que fizeres a um destes pequeninos é a mim que o fazes” disse Jesus.
E aquilo que realizares de bom em prol de quem necessita será anotado como crédito para o Juízo Final.
Deus não te fiscaliza... Ele deu-te o livre-arbítrio para que procedas como quiseres, mas o teu cérebro registra tudo. Ele é o teu computador.
Para ti que agora me lês, quero desejar toda sorte de alegrias extensivas a toda tua família. Que o Todo Poderoso te cubra de bênçãos para que feliz, junto aos teus familiares, transponhas o ano que ora se inicia, são meus ardentes votos!

DISSIMULAÇÃO

Se falássemos somente de coisas sérias, as nossas vidas se tornariam insípidas. Vezes há que devemos mesclá-las com brincadeiras, para que aqueles que nos cercam, escutam ou lêem, compartilhem também destes momentos deliciosos.
Mentiras brincalhonas, piadas, folganças e quaisquer tipos de distrações, são, medicamentos eficazes para estresses, os quais muitas vezes culminam com o suicídio.
Estejamos de bem com a vida, com o que ela nos doa e, teremos conquistado muitos momentos felizes. Alguém já revelou que, rir é um eficaz remédio para os males que cultivamos em nossas mentes.

DISSIMULAÇÃO?
AYRES KOERIG

O sol se põe, a noite desce fria,
No meu tugúrio trêmulo me quedo,
Não é que eu simplesmente tenha medo,
Ficar sozinho sempre me angustia.

Estranho é meu temor, essa apatia,
Que me está vindo por demais tão cedo...
A escuridão me deixa um gosto azedo;
Eu não suporto mais o fim do dia.

O que escrevi acima no papel,
Foi simples brincadeira, uma tolice...
Eu tive a vida doce como um mel...

Não acreditem nada que lhes disse.
Jamais senti qualquer sabor de fel:
Eu quero é divertir-me na velhice!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

AMOR E PERDÃO

AMOR E PERDÃO
AYRES KOERIG

Às vezes um casal só se desfaz,
Quando o perdão está longe do amor;
Não se importaram nunca olhar para trás,
Então, que todos dois curtam sua dor.

Perfeito axioma: “Amor co’amor se apaga”...
Mas, e as promessas quando namorados?!
Delas só se vão ter lembrança vaga,
Depois das brigas, quando separados?

Foi Deus que em nós criou nossa visão,
Para poder-se o belo apreciar.
Também foi quem nos deu um coração,
Para sentir, pensar, sonhar e amar.

Sem ter amor não se tem bom viver...
Vejam como isso traz aos olhos brilho!
Então pergunto, podem responder:
Haverá pai que não ame seu filho?!

Só se ele for um vil, desnaturado,
Que se interesse só pelo dinheiro...
Um ser assim não pode ser do agrado,
De um Deus, que sempre quer ser o primeiro,

A nos amar, e disto não se afasta.
Para Ele o ser humano no’é escravo...
Nunca ele usou em nós sua vergasta!
Que todo e qualquer homem seja um bravo

Sem se tornar jamais um ser mesquinho.
Doença e mal são frutos da burrice,
Que o homem faz desde pequenininho,
Criando achaques pra sua velhice.

Desesperando quando a natureza,
Vem a cobrar-lhe como causa-efeito...
Arrependido chora de tristeza,
Por não se ter postado de outro jeito.






Agora é tarde grita a consciência:
-- Sejas quem fores não te ajudarei.
Culpado és tu por tua negligência,
Da natureza foste contra a lei.

Às vezes por pensar que sabes tudo,
Que tu és o tal, que tudo estás sabendo.
Não sabes que o melhor é ficar mudo,
Analisando: olhando, ouvindo e vendo?

Em nosso orgulho ocultam – se as paixões,
Como nos nevoeiros as montanhas...
As lavas se pespegam nos vulcões,
O ódio fica oculto nas entranhas...

Quando se fala em lava tem-se em mira,
O fogo abrasador que nos destroça;
Que acende em nós: rancor repulsa e ira,
Que arrasa e queima toda vida nossa.

Por isso eu peço a todos vão por mim,
Às coisas que devemos nos opor...
Lá do âmago retirem o ruim,
Deixem seus corações só para o amor!

Não queiram nunca só de ter razão,
Se vós não sois os donos da verdade...
Onde houver sim, dareis um sim. Ou não,
Se vós notardes algo em falsidade...

Vamos chegar a esta conclusão:
Do que passou não vai haver mais bis.
Deus nos ensina a darmos o perdão,
Afim, de termos um final feliz.

Fidelidade deixa sempre, unidos,
Dois corações que vivem nas bonanças,
Sem haver, vencedores nem vencidos...
Em ambos vão nascer as esperanças,

De par com o perdão estar o amor,
Trilhando juntos na felicidade;
Para brilharem com mais resplendor,
Por todo o sempre, até na eternidade!

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

NO TEMPO QUE EU TINHA TEMPO

Com que saudade se relembra o tempo de criança, adolescência e juventude. Tudo que se fazia era sem pressa, e como o tempo demorava a passar... Parece-nos até que os dias eram maiores; mas, não. É que quando se está esperando algo, conta-se, minuto a minuto o tempo que passa. Já repararam como um minuto é um longo espaço de tempo? Olhe no seu relógio o quanto demora. Quando não se tem tempo para algo e não se pensa em nada, as horas voam, haja vista quando de noite ao dormirmos. Portanto, fiquem atentos, para não dizerem assim:

NO TEMPO EM QUE
EU TINHA TEMPO
AYRES KOERIG
Era criança e não pensava em nada,
Tudo girava alegre ao meu redor;
Sem ambição, pois nada eu cobiçava,
Da vida a parte pra mim a melhor!

Quadra em que a gente tanto tempo tem
Para nadar, correr, pular, brincar.
E muitas vezes pra estudar também.
Hoje só tenho tempo pra pensar,

Nas muitas contas que sempre se faz,
Pra que tenhamos um viver egrégio:
Contas de telefone, luz e gás,
Contas dos filhos que estão no colégio.

Fora outras muitas que tenho também,
De me lembrar do cheque pré-datado,
Que dei ao seu José lá do armazém,
Aquele rancho que vendeu fiado.

A todos vós eu digo muito franco,
Tudo isto custa, pois que já estou velho;
De quando em quando tenho que ir ao banco,
Pra ver se o saldo não está no vermelho.

Retrocedendo a todos esses anos,
Vejo que a vida se tornou pesada.
Também não foram tantos desenganos...
Só não me sobra é tempo pra mais nada !!!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

SAUDADES DE MIM MESMO

Quem, que ao passar dos setenta, não quereria voltar ao passado, que já se lá foi, no tempo de criança, sem as responsabilidades que hoje já lotam as nossas costas. Dias há que o tempo fica tão minguado que não se pode seguir o dito popular: “ NÃO DEIXES PARA AMANHÃ, O QUE PODES FAZER HOJE”, acumulando desta forma os nossos quefazeres. Recriminamo-nos então a nós mesmos, por não sabermos ter aproveitado melhor aquela época só quase que de lazer.


SAUDADES DE MIM MESMO
AYRES KOERIG

Tudo era riso, tudo festa e glória,
Na década de trinta e de quarenta...
Àqueles dias trago-os na memória,
E a mágoa cá por este peito aumenta.

Poucos reveses que houve em minha história,
Foram mui leves que qualquer agüenta...
Nunca era coisa por demais notória,
Algum senão sem causa turbulenta.

Assim se definiu o meu passado;
De não envelhecer foi meu desejo.
Mas uma voz que me acompanha e que ouço,

Vive a me martelar em tom pausado...
Perscruto, olho para trás e então só vejo,
A sombra do que fui quando era moço!

domingo, 27 de dezembro de 2009

NA ENCRUZILHADA DOS CAMINHOS

NA ENCRUZILHADA DOS CAMINHOS
AYRES KOERIG
Imaginem um senhor, idoso, solteirão, num dia de chuva, apoiado em sua bengala, a olhar para um ponto qualquer, relembrando o seu passado, vindo a sua mente o que fez e o que deixou de fazer na sua mocidade. Digo-lhes que o dito cujo trabalhou muito no seu belo emprego angariou bens, amealhou fortuna; porém jamais conseguiu formar um lar e ter filhos -- toda sua ambição -- o seu acabrunhamento com pessoas do sexo oposto, não deixou que se completasse aquilo que tanto desejara.
Como vocês viram pelo preâmbulo que acabo de relatar, nada tem a ver comigo que graças a Deus me realizei, pois tenho uma esposa com quem convivo desde 1946 e quatro filhos aos quais adoro.
Não o conheço e nem o conheci: simplesmente, li esta página do seu diário, feito num caderno, cujas folhas já estavam indelevelmente amarelecidas, pela ação implacável do tempo, que aos poucos tudo destrói.
É somente uma ficção para apresentar o soneto abaixo, composto num dia frio e de chuva. Alguns que o lerem irão gostar, outros, julgar-lhe-ão uma porcaria... Mas como “gosto não se discute”, espero que a maioria ache, não uma obra-prima, mas goste, mesmo que se lhe dêem outras interpretações.
É meu estilo sempre que faço minhas crônicas, recheá-las com alguma poesia, para dar mais ênfase naquilo que se escreve. Em tudo há poesia. Mesmo nas horas amargas da vida há os que choram cantando, com os há aqueles céticos que riem; incluo aqui, os otimistas crentes de que amanhã será um novo dia e que, aquilo que hoje parece insolúvel, no outro dia será resolvido sem trabalho algum. Altos e baixos sempre vamos encontrar nas encruzilhadas dos caminhos que percorremos. A felicidade não é duradoura. Aquele que se contenta com pouco, vai achá-la, mais facilmente. “Quem muito precisa com o pouco se regala”. Para o rico, cem reais significa u’a migalha ínfima; entanto para o pobrezinho, uma fortuna.
Desviei-me um pouco do que pretendia, mas, finalizemos esta pequena crônica.

PÁGINA DE UM DIÁRIO

Oh! Meiga chuva por que não estias
Sem precisar deixar um céu aberto!
Com esta chuva e co’as manhãs tão frias,
Eu sinto que um fantasma está por perto.
Penso e repenso em minhas covardias...
Nunca ataquei e nem banquei o esperto.
Planejava investir todos os dias,
Fazia frente e nada estava certo.
O plano que eu fazia dava errado,
Nunca acertei na mosca uma tacada,
E nem compreendi bem o quem tu eras...
Hoje sozinho triste e acabrunhado,
Só há recordações da era passada,
No meu pobre sepulcro de quimeras!

sábado, 26 de dezembro de 2009

LÁGRIMAS

Posso me considerar uma pessoa emotiva: uma notícia de impacto faz com que as lágrimas me afluam, mesmo que não ocorra com uma pessoa da minha família. Sensibilizo-me às vezes até com pequenas coisas. Puxei à minha mãe, papai assim não era.


LÁGRIMAS
Ayres Koerig

Vão se rolando pelo rosto afora,
Nas desventuras por alguém sofridas,
Principalmente quando são queridas,
As criaturas pelas quais se chora.

Mas há os que choram sempre e a qualquer hora,
Por um simples senão nas suas vidas:
São muitas vezes, lágrimas fingidas...
Não vão ao coração, só estão por fora.

A lágrima pesada a mais dorida,
A mais desesperada que me ocorre,
Que às vezes chega até acabar co’a vida,

De quem na sua face ela se escorre:
É a lágrima de dor por mãe vertida,
Quando um filho doente ou quando morre!